PROPOSTA PARA O TURISMO E CULTURA DOS PRESIDENCIÁVEIS 2018

Como os presidenciáveis de 2018 estão se posicionando com relação ao turismo e à cultura? Essa é uma boa pergunta que resolvemos responder. 

Como sempre falo o turismo é a indústria, não poluente, que mais cresce no mundo. A importância do turismo no mundo econômico é inegável e só aumenta a cada ano. O turismo representa 10% do PIB mundial e é responsável por 01 entre 10 empregos no mundo.

O site de informação de custos HowMuch.net divulgou um mapa, em 2017, mostrando uma relação dos países em todo o mundo, sobre quanto o turismo representa no PIB de cada um. A classificação ficou dividida em 04 tipos:

– Países onde o PIB representa mais de 7%. Os mais dependentes do turismo são: Malta (15%), Croácia (15%), Tailândia (9,3%), Jamaica (8,9%) e Islândia (8,2%) e outros na sequência.

– Países onde o turismo representa de 5 a 7%. Nestes estão incluídos Portugal, Espanha, México, Grécia e outros.

– Países onde o turismo representa de 2 a 5%. É neste que está incluído o Brasil e

– Países onde o turismo representa menos de 2%.

O Brasil é a 10ª maior indústria de turismo no mundo e movimenta bilhões de dólares na área. O primeiro são os Estados Unidos ($488 bilhões) seguido por China ($224 bilhões), Alemanha ($130.8 bilhões), Japão ($106.7 bilhões), Reino Unido ($103.7 bilhões), França ($89.2 bilhões), México ($79.7 bilhões), Itália ($76.3 bilhões), Espanha ($68.8 bilhões) e Brasil ($56.3 bilhões).

É bom lembrar que o turismo não só gera recursos financeiros e empregos, como também auxilia na proteção do meio ambiente e na preservação da cultura.

Diante de números tão importantes no turismo e diante da nossa necessidade de gerar empregos e desenvolvimento, é claro que este é um assunto importante para ser tratado em nosso país. Foi por esse motivo que fui buscar em cada um dos planos de governo, de cada candidato o que eles falam sobre o turismo e a cultura.

Veja abaixo o que cada um tem em seu plano. (Os candidatos foram colocados em ordem alfabética):

Álvaro Dias (Pode) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 03 vezes e a palavra CULTURA aparece também 03 vezes. Não há uma proposta específica para o turismo ou a cultura, eles aparecem na proposta conjunta “Ciência, Cultura e Turismo”. Não há descrição. Porém, em um subitem cita sobre a criação da “secretaria nacional do turismo”, o que não fica claro se vai então acabar com o Ministério do Turismo. Também não fica claro porque mistura numa mesma linha a Ciência, a cultura e o turismo tirando a importância que cada um destes setores conquistou individualmente. Também não explica porque a Ciência está separada da Educação.

Veja aqui o plano de governo de Álvaro Dias

Cabo Daciolo (Patri) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece apenas uma vez quando se refere à criação de rodovias. A palavra CULTURA não aparece. Não há proposta para nenhum dos temas.

Veja aqui o plano de governo de Cabo Daciolo

Ciro Gomes (PDT) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 02 vezes e a palavra CULTURA aparece 17 vezes. Não há uma proposta específica para o turismo, mas cita o desenvolvimento do turismo sustentável na proposta de geração de empregos. Há uma proposta específica para a cultura.

Veja aqui o plano de governo de Ciro Gomes

Eymael (DC) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 03 vezes e a palavra CULTURA aparece 07 vezes. Não há uma proposta específica para o turismo, mas está incluído como um dos itens das propostas para o desenvolvimento do país. Há uma proposta específica para a cultura.

Veja aqui o plano de governo de Eymael

Fernando Haddad (PT) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 13 vezes e a palavra CULTURA aparece 34 vezes. O turismo tem uma proposta específica. A cultura tem uma proposta específica.

Veja aqui o plano de governo de Fernando Haddad

Geraldo Alckmin (PSDB) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 02 vezes e a palavra CULTURA aparece 02 vezes. Não há uma proposta específica nem para turismo e nem para a cultura. São citados dentro de tópicos do crescimento econômico e desenvolvimento.

Veja aqui o plano de governo de Geraldo Alckmin

Guilherme Boulos (Psol) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO aparece 01 vez e a palavra CULTURA aparece 68 vezes. O turismo não tem uma proposta. A cultura tem uma proposta específica.

Veja aqui o plano de governo de Guilherme Boulos

Henrique Meirelles (MDB) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO não aparece e a palavra CULTURA* não aparece. (*aparece uma vez a palavra cultura no sentido de comportamento). Não há propostas sobre nenhum dos temas.

Veja aqui o plano de governo de Henrique Meirelles

Jair Bolsonaro (PSL) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO não aparece e a palavra CULTURA* não aparece. (*aparece duas vezes a palavra cultura no sentido de comportamento). Não há propostas sobre nenhum dos temas.

Veja aqui o plano de governo de Jair Bolsonaro

João Amoedo (Novo) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO não aparece e a palavra CULTURA aparece 01 vez. Não há proposta para o turismo. Não há propostas específicas sobre cultura. Há uma referência sobre incentivo à cultura, esportes e ciências relacionados com financiamento.

Veja aqui o plano de governo de João Amoedo

João Goulart Filho (PPL) – No plano de governo do candidato a palavra TURISMO não aparece e a palavra CULTURA aparece 17 vezes. Não há proposta para o turismo. Há uma proposta específica para a cultura.

Veja aqui o plano de governo de João Goulart Filho

Marina Silva (REDE) – No plano de governo da candidata a palavra TURISMO aparece 08 vezes e a palavra CULTURA aparece 25 vezes. Existe uma proposta específica para o Turismo. Existe uma proposta específica sobre a cultura.

Veja aqui o plano de governo de Marina Silva

Vera (PSTU) – No plano de governo da candidata a palavra TURISMO não aparece e a palavra CULTURA não aparece. Não há propostas específicas sobre nenhum dos temas.

Veja aqui o plano de governo de Vera

Nossas conclusões:

A contagem das palavras foi feita porque alguns dos candidatos não têm planos ou propostas específicas para cada assunto e sim diretrizes de trabalho que junta assuntos variados em um tema. Porém é relevante saber se este candidato ao menos fala sobre o tema, se o conhece ou cita ou o coloca em algum conjunto de ações.

Muitos dos planos, com propostas específicas ou não, das ações culturais estão focados principalmente nas políticas afirmativas da mulher, da comunidade LGBT e das questões raciais não sendo necessariamente uma política para a cultura. Nem todos criaram as propostas englobando as artes, culturas populares, patrimônio, saberes etc.

Poucos candidatos citaram ou criaram propostas para o turismo entendendo este como um motor para o desenvolvimento.

O principal objetivo, além de mapear o assunto, é nos fazer pensar que:

***Se o turismo é toda essa potência, tem boas soluções para o desenvolvimento, geração de empregos e preservação do meio ambiente e cultura, PORQUE NÃO É CITADO OU TEM A IMPORTÂNCIA QUE DEVERIA?

A resposta pode ser aquela que muitas vezes não queremos ouvir, de que a culpa é nossa.

Se um dos grandes problemas e dos itens, mais citados em todos os planos de governo dos candidatos é o desemprego e se o turismo representa 1 de cada 10 empregos, somos a 10ª potência turística do mundo, onde está a justificativa lógica para não ter nem a citação do turismo como uma possibilidade econômica viável?

Estamos nesse mercado, sabemos do seu tamanho. Não cobramos ações reais e valorização por parte do governo para o setor. É importante que políticos e candidatos olhem e entendam a importância deste investimento e quanto ele pode contribuir para a economia do país.

Se não nos posicionarmos, os assuntos mais comentados ou mais relevantes tomam o palco e nos deixam de fora indevidamente.

Precisamos de fato levar o turismo, junto com nossa cultura, para a visibilidade, para a sala dos investidores, para o grupo das empresas importantes. Isso será feito através de ações simples como posicionamento e cobrança das entidades representativas.

Não estou falando de ações para abater impostos, conseguir subsídios, aprovar essa ou aquela lei. Estou falando de políticas a longo prazo e muito mais abrangente do que se faz hoje.

Algumas ações que poderiam ser feitas:

– Cobrar dos candidatos que tenham propostas para a área,

– Auxiliar partidos e candidatos no desenho dessa importante ação,

– Cobrar dos políticos e de organizações que realizem o trabalho de pesquisar e mensurar constantemente os números do turismo, aliados à cultura, no Brasil,

– Divulgar para toda a população o potencial do turismo para que haja uma maior valorização e respeito por este seguimento tão importante.

E você, o que acha disso? O que poderia acrescentar sobre o assunto? Aguardo seus comentários. Até a próxima semana. Compartilhe, pois conhecimento tem que circular! 😉

#pracegover foto do palácio do governo em Brasília, palácio do planalto.  

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